quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Bispo contra a violência machista
"Nos preocupa la violencia machista presente en nuestra sociedad, que tiene a la mujer como víctima y que, lejos de desaparecer, sigue extendiéndose en nuestros días".
As palavras são do bispo de San Sebastián, José Ignacio Munilla.
As palavras são do bispo de San Sebastián, José Ignacio Munilla.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Contra a vida , contra a liberdade, contra a democracia
Maçonaria branca, movimentos neonazis, extrema-direita radical estão na base dos movimentos ditos próvida, acolhidos com paixão pelos radtrads, que em Espanha têm tido um protagonismo crescente.
Rouco, do alto da sua cátedra e rodeado de homens sem família, abençoa o neoconservadorismo católico mais radical, tridentinos e quicos à mistura, numa opção claramente política, contra a democracia e os valores do laicismo.
Rouco, do alto da sua cátedra e rodeado de homens sem família, abençoa o neoconservadorismo católico mais radical, tridentinos e quicos à mistura, numa opção claramente política, contra a democracia e os valores do laicismo.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
A paz NECESSÁRIA
"No próximo mês de Outubro deslocar-me-ei como peregrino à cidade de São Francisco, convidando a unirem-se a mim, neste caminho, os irmãos cristãos das diversas confissões, os expoentes das tradições religiosas do mundo e, em espírito, todos os homens de boa vontade”, revelou, após a recitação da oração do Angelus, no Vaticano, este Sábado.Segundo Bento XVI, a iniciativa visa “fazer memória” do gesto do seu predecessor, em 1986, que qualificou como “histórico”.
No dia que a Igreja Católica dedica ao tema da paz, o actual Papa falou da necessidade de “renovar solenemente o empenho dos crentes de todas as religiões em viver a sua própria fé religiosa como serviço à causa da paz”.A cidade de Assis, na Itália, está ligada à figura de S. Francisco (1182-1226), um dos santos mais populares no catolicismo, apresentado, entre outros, como exemplo de compromisso no diálogo entre as religiões.Referindo-se ao tema do Dia Mundial da Paz 2011, Bento XVI observou que “as grandes religiões podem constituir um importante factor de unidade e de paz para a família humana”.
E por se muove
Mas apesar disso, o papa permanece refém de um certo fantasma dos anos cinquenta e sessenta, ignorando completamente a realidade do mundo de hoje.
Quando o papa associa a utilização da pílula à promiscuidade sexual tem como referente a geração das nossas avós, quando a pílula é hoje utilizada em larga escala pelas jovens mulheres católicas netas dessas primeiras mulheres que experimentaram, pela primeira vez na história da humanidade a possibilidade de viver a sexualidade num contexto amoroso pleno, sem as limitações da biologia reprodutiva, sem os riscos da mortalidade associada ao parto. Tal revolução foi de facto algo de absolutamente extraordinário para as mulheres de todo o mundo e não é por acaso que as mulheres adoptaram a pílula tão consistentemente e de uma forma tão sistemática.
O papa por aí ficou, algures, nos loucos anos sessenta, mas, em 50 anos as transformações proféticas foram tão extraordinárias, que podem ser difíceis de acompanhar por um velho homem desligado da realidade amorosa.
O papa por aí ficou, algures, nos loucos anos sessenta, mas, em 50 anos as transformações proféticas foram tão extraordinárias, que podem ser difíceis de acompanhar por um velho homem desligado da realidade amorosa.
Hoje, calcula-se que mais de 100 milhões de mulheres no mundo inteiro usem a pílula. Apesar de todas as reacções contrárias ao seu uso, de todas as críticas e reservas, de todas as interdições ideológicas e religiosas, os seus benefícios para a saúde das mulheres são consideráveis. Em Março, um estudo britânico que envolveu 46 mil mulheres, na Universidade de Aberdeen, publicado no British Medical Journal, no Reino Unido, diz que aquelas que usaram a pílula desde os anos 60 vivem mais tempo. Aliás, desde a década de sessenta a esperança média de vida mulheres cresceu exponencialmente e só continou a ser baixa nos países em que as mulheres não têm acesso à contracepção e a cuidados de saúde reprodutiva. Mas há um outro efeito extraordinário associado à pílula - com o espaçamento das gravidezes e uma contracepção eficaz , a mortalidade infantil caiu para os níveis mais baixos de sempre.
E pur se muove.
E pur se muove
Durante curtos dias de descanso aproveitei para ler íntegralmente o livro do papa A Luz do Mundo, em versão portuguesa.
Um livro em que cada pergunta (90 no total) foi previamente acordada e onde cada palavra do papa é medida até à precisão milimétrica. Não há acasos nem desatenções - o papa responde com indicações muito precisas sobre todos os temas, incluindo os mais sensíveis e fá-lo querendo dar um linha de clareza e orientação pastoral. E o que resulta do livro é uma subtil mas inevitável tendência de abertura pastoral. Lentamente, muito lentamente, a Igreja move-se rumo à verdade.
Para lá da questão inovadora da possibilidade da utilização do preservativo para prevenir a Sida e da aceitação da validade do método ABC, há um outro tema fracturante onde o actual papa impõe uma interpretação pastoral mais aberta.
Refiro-me concretamente à questão da contracepção.
Em primeiro lugar - um pormenor estrutural que aparece com toda a clareza no discurso de Bento XVI e que contradiz alguns fundamentalistas mais radicais: a Igreja aceita os métodos contraceptivos. Ou seja, o PAPA afirma que os métodos naturais, admitidos plenamente pela igreja, são métodos contraceptivos. As palavras não são minhas, mas do papa himself, que assim afasta o discurso irracional que pretendia e estabelecer diferenças artificiais entre as várias categorias classificatórias dos diversos métodos contraceptivos.
Jornalista - A Igreja católica rejeita qualquer tipo de método contraceptivo?
Bento XVI - Não. Já é conhecido que aceita todos os métodos naturais, que não são só um método mas também um caminho.
Em segundo lugar o papa parece ter abandonado completamente o conceito dos "actos moralmente ilícitos" em situação de contracepção, de duvidosa sustentabilidade doutrinária. Pois a ser assim, seriam moralmente ilícitos todos os actos sexuais praticados por casais católicos que usam os métodos contraceptivos ditos naturais, em que existe, claramente, um comportamento consciente de clivagem entre a vertente procriativa e unitiva.
Abandonado este discurso doutrinário tão gasto como irracional, a questão remanescente (e explicativa) da "proibição" de alguns métodos contraceptivos mais eficazes como o preservativo ou a pílula baseia-se no pressuposto errado de que a sua utilização banaliza a sexualidade ao libertar as mulheres do jugo da gravidez não controlada.
A questão da banalização da sexualidade surge então como a questão de base do discurso papal.
As palavras do papa sobre o tema têm um toque de á-vontade ao falar sobre sexo que parece surpreendente para um homem tão idoso ainda pro cima com as suas funções.
As palavras do papa sobre o tema têm um toque de á-vontade ao falar sobre sexo que parece surpreendente para um homem tão idoso ainda pro cima com as suas funções.
Para o velho papa, a contracepção é aceitável quando se faz partindo do pressuposto que" se tem tempo um para o outro. Que se vive uma relação de longa duração."
Ora é isso precisamente isso que sucede com os casais que usam métodos contraceptivos eficazes como a pílula. A maior parte das mulheres que utiliza a pílula mantém uma relação de conjugalidade estável, de longa duração e uma relação de fidelidade.
Ora é isso precisamente isso que sucede com os casais que usam métodos contraceptivos eficazes como a pílula. A maior parte das mulheres que utiliza a pílula mantém uma relação de conjugalidade estável, de longa duração e uma relação de fidelidade.
Ao contrário do que o papa pensa ( preso talvez aos fantasmas da sua irrequieta juventude), hoje em dia as maiores utilizadoras da pílula são mulheres adultas casadas e com vários filhos, com relações estáveis.
Parafraseando o papa, " E isso é fundamentelmente diferente da situação em que, não se tendo nenhuma ligação interior a uma pessoa, se toma a pílula para se entregar rapidamente ao candidato seguinte".
Ora esta é uma concepção aparentemente inovadora, com um apontamento que abre caminhos e legitima a novas reinterpretações pastorais da Humanae Vitae.
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